terça-feira, 7 de agosto de 2012

Só.

Horas insanas
comem meus neurônios.
Passam, ouça...
O tic-tac,
medonho...
Que tédio, sangrento tempo.
Vozes, apareçam vozes
Acalentem-me
Afaguem-me
Cubram-me
Tirem-me o sujo pensamento
Toc-toc, cheguei...
A hora é essa.

Sentido!...

O grotesco sentido
que me gasta o desejo
faz eu sentir-me
num puro apego.
Apego mero, impuro,
gostoso, injusto, horroroso.
Sentido nojento,
desejo amoroso...
Basta! Quero apenas viver.

Viagem Eterna

É silenciosa.
Até parece sentimento indesejado.
Difícil de controlar.
Te consome aos poucos,
Ferozmente
Loucamente
Vagarosamente
De repente.
Instantânea e pronto...
Era uma vez!!!
Ela te oferece uma passagem,
mas na Rodoviária Celestial
o bilhete é único,
porque tu tens a hora da partida,
porém a hora da volta é administrada
por um ser.
Ele, só Ele é capaz de ti dizer:
- Pode vir que eu te recebo em Paz!
E a viagem eterna é saboreada.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O assalto.


            Certa vez, ao sair de casa, em uma noite aparentemente comum, me deparei com um acontecimento.
            Uma mulher, a qual aparentava ter seus 27 anos de idade e com um belo corpo que chamava a atenção de qualquer homem, conduzia ao seu lado direito uma criança, essa devia ter uns cinco anos de idade. Os dois pareciam bem vestidos, porém a criança era dotada de uma magreza assustadora.
            A mulher e a criança iam caminhando pela calçada a poucos metros em minha frente, era uma caminhada tranquila. De repente a criança olhou para trás e me encarou profundamente, pude absorver um alto nível de sinceridade no brilho do olhar infantil, procurei formular um sorriso, contudo a criança voltou a atenção para frente me ignorando indiferentemente.
            Os dois entraram em um comércio e eu continuei a andar em busca de algo perdido em minha memória. Entretanto algo igual a um grito feminino ecoou em meus ouvidos.
            Voltei-me para trás e percebi um pequeno alvoroço em frente ao comércio. Corri para ver o que acontecia. Ao chegar lá avistei a criança abraçada ao corpo da mulher. Naquele momento a mulher já era um cadáver e a criança mais uma órfã nesse mundo de Deus.
            Não tive uma emoção peculiar. A criança gritava procurando uma resposta no rosto dos transeuntes. Os murmúrios diziam que um moleque anunciara um assalto ao comércio, nesse momento a mulher tentara fugir com a criança, mas o delinquente disparara um tiro que ceifara a vida da jovem.
            De repente os olhos da criança cruzaram com os meus novamente, no entanto, dessa vez não ousei esbouçar qualquer reação. A criança parou de gritar ao me ver, silenciou-se por alguns minutos e jogou-se sobre o corpo quase gélido que esparramava-se e fundia-se ao sangue quente no chão do comércio.
            Logo chegou a ambulância e o conselho tutelar. Agora eu já observava o fato de longe. Ao ver a criança ser levada até o carro por um policial. Senti o trajeto de uma lágrima, uma única lágrima, correr em meu rosto.
            Naquele momento me senti tão inútil e descartável, que apenas voltei para casa e dormi. Isso mesmo! Apenas dormi...

quinta-feira, 29 de março de 2012

Reação

Com palavras destruídas
Eu consegui reconstruir sonhos
Em horas mal resolvidas
Percebi a distância dos poros tristonhos

Tu aprendestes a saborear a vingança
O gosto te pareceu amargo, azedo.
É porque de toda aquela confiança
Te restou o mais doce desprezo.

Tens agora o descontrole cardíaco,
Pois ao me ver na bonança
Desperta em ti o louco maníaco
Em busca da semente da esperança.

O tempo passou e estou renovado
A tua pele seca, agora envenena
Meu contorno corporal é amado
Por outro que nem de ti me lembra.