quinta-feira, 26 de março de 2015

Previsibilidade



Sinto falta daquelas palavras que tu me dizias em busca de confirmações.
Sou um ser previsível e tu sabes muito bem disso. Assim, tu utilizavas minha fraqueza em prol de teus desejos.
A libido me afogava e só tu eras capaz de me resgatar. Eu sucumbia e tu me tiravas do mundo dos desfalecidos.
Jogávamos um jogo infame e eu, munido de minha ingenuidade, me deixava corromper pelos teus truques infalíveis e constantemente trapaceiros. Me vencias pela trapaça de tuas jogadas.
Mas, assim como a virgem deixou encantar-se pelo fruto proibido, me entreguei aos teus anseios e me feri.
Condenado ao ócio das lamentações, me vejo envolvido em imensas cordas que me paralisam e me deixam inerte a teus atos.
Não tenho com reagir a teus infames devaneios a meu respeito, mas estou certo de que minha previsibilidade não me deixará de lado.
Te esquecerei e me tornarei blindado à espera de outra desilusão.
Elas me alimentam e me ensinam que sou mais forte do que qualquer obstáculo corrosivo, que danifica o coração dos homens e os torna mais regenerados a cada queda.

Nilzan Santos
17 de Março de 2015

Picuinha



Era uma manhã de inverno tipicamente macapaense, muita água divina, muito Amazonas se afogando, muita gente inacostumada ao frio moderado que se instalava.
Meus pais costumavam discutir por coisas simples e sem sentido, não que as coisas simples da vida não tenham sentido para mim, porém o fato de divergir ideias a respeito de um controle remoto me parece simples e sem sentido.
De repente eis que surge uma gota d’água bem no meio da sala, eu estava no quarto quando ouvi o alarde. Duas pessoas começavam a confabular argumentos sem fundamento. Claro que não eram argumentos, eram apenas palavras de nervosismo.
Mas por que tanto barulho por causa de uma gota d’água? Comecemos a entender então.
A gota d’água, invasora e destruidora de lares, atingiu o bendito controle remoto da TV. Perda total. E agora? Como iriamos alimentar o corpo preguiçoso na hora de saquear os canais da TV? Mesmo que fosse humanamente possível utilizar os botões instalados no televisor, não se cogitava a possibilidade de levantar-se, caminhar até a TV e deitar-se novamente. Nossa, que maratona olimpiana!
Digo deitar-se, porque em nossa casa os sofás não servem para sentar e sim para deitar. Se assim se vive aqui, eu me pergunto: qual o sentido de ter uma cama para cada pessoa nessa casa? Vem a resposta óbvia: nem todo quarto tem uma TV e um controle remoto.
Voltemos aos meus pais. Minha mãe urrou o seu grito mais belo e delicado, banhado a um “belo” palavrão involuntário. O controle, antes de seu suposto homicídio, estava deitado junto ao sofá em que meu pai descansava – ao som de roncos selvagens – após o café da manhã. Meu pai sempre dorme nas horas mais oportunas e inoportunas. Se quisermos assistir a um filme juntos, ele dorme; se combinamos a apreciação de um programa em família, ele dorme; mas se resolvemos nos atrasar para algum compromisso devido ao seu sono, ele não dorme e perturba.
O culpado foi logo descartando sua culpa. “Injustiça, porque durante o sono não temos chance de nos defender de catástrofes naturais”. Quase fui convencido!
Minha mãe com seu temperamento escorpiano, nem quis saber. “A culpa é tua, que fica roncando e esquece de tudo ao teu redor. Vê se presta mais atenção nas coisas, rapaz!”. Minha mãe é minha mãe!!! Ainda bem que é mãe, porque se fosse professora eu estava lascado. Chicote nele! (Chicote em mim).
Ao observar a cena percebi que o controle estava virado com as teclas para baixo, o peguei do chão discretamente e cheio de habilidade desviando das palavras que voavam soltas no recinto. Constatei que a gota d’água atingira apenas o encaixe para as pilhas e que a solução era apenas a substituição por pilhas novas. Sempre fui bom no conserto de controles remotos.
Não comuniquei a descoberta a eles. Corri no meu quarto, troquei as pilhas e voltei para a sala. Naquele momento eles já brigavam em busca do paradeiro do controle remoto. Sorri com ar de antagonista vilão, sentei no meio da sala, enrolado ao lençol salvador dos invernos, apontei o objeto para a tela reprodutora de sonhos e apertei o botão OFF.
A TV desligou, catei um travesseiro renegado ao canto da sala, aconcheguei minha cabeça e desfrutei do silêncio de perplexidade dos meus protagonistas familiares enquanto a chuva reinava absoluta lá fora.
Naquele dia percebi que meus pais precisavam de um diretor e de um núcleo de apoio para suas picuinhas. Exerci as duas funções com maestria. E até hoje busco o meu Oscar.

Nilzan Santos,
29.03.2013

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Caminhos



Que os anjos despertem as criaturas mais sagradas.
Que os corações se encham de compaixão.
Que a nossa história se torne um best-seller.
Que meu mundo complete o teu.
Que as circunstâncias me encaminhem a você.
Que tuas circunstâncias se encaixem nas minhas.
Que teu mundo esteja incompleto.
Que tua história esteja no começo.
Que tua compaixão seja suficiente.
Que tu sejas um anjo,
Que eu seja uma criatura.

As nuvens e o vento


Eu sempre olho para as nuvens. Me parece que elas possuem vida própria. Em poucos momentos mudam de forma, mudam de caminho, mudam de direção. As admiro muito. Talvez minha admiração se dê por conta da liberdade que elas possuem. Cortam o céu, cortam meu olhar.
De tanto acompanhar seus movimentos logo percebo que adquiro uma certa cegueira diante de toda sua brancura. O claro é tão forte que promove o escuro em meus olhos. Me pergunto se essa cegueira pode comprometer meus momentos de deleite das nuvens, mas logo o organismo me responde, pois a escuridão se vai e os traços naturais das coisas retornam, mesmo que isso ocorra de forma demorada.
Quando era criança, desejei ser uma nuvem também. Queria sua liberdade, seu poder de transformação, seu poder hipnotizador. Mas, com o passar do tempo, percebi que a liberdade das nuvens era provocada por um outro fenômeno da natureza: o vento.
Entre as nuvens e o vento fiquei em dúvida. As nuvens, como já disse, me encantavam profundamente, porém agora, um outro elemento me intrigava. O vento é o propulsor da liberdade das nuvens, conforme a velocidade dos ventos, temos formas diferentes e volumes diferentes das nuvens.
Hoje já não me vejo querendo ser uma bela nuvem, um esperto e ágil. Quero construir uma vida a qual contenha as características do vento e a beleza das nuvens.
Que eu consiga voar, correr, encantar os outros, assim como as nuvens fazem.
Que eu consiga guiar e moldar os meus caminhos, assim como os ventos fazem.

quarta-feira, 3 de abril de 2013


Subordinagem

As pessoas sempre sabem a hora certa de agir, mas eu não.
Sou inconstante perante meus sentimentos.
Eles me dominam e me atiram ao chão,
Feito folhas secas e indiferentes
À imensidão de folhagem que ainda,
Rigidamente,
Sobrevive em cada galho de meu coração.
Sou apenas um só.
Sou apenas eu mesmo.

Nilzan Santos

Necessidade

Quando precisamos de alguém para nos consolar,
Não precisamos só de consolo.
Apesar de querermos alguém que nos ame,
Precisamos de alguém que nos chateie.
Mesmo sabendo que a carência
É o medo da inexistência,
Precisamos de solidão
Dentro do coração.

Se tuas formas mortais
Se materializassem aqui,
Não saberia me conter!
Um fluxo de emoções ronda
E infla meu coração.
Já não me permito desperdiçar
Nem um tanto de imaginação.

Minhas consequências,
Tuas causas!
Minha derrota,
Teu jogo!
Tua mente,
Minha próxima conquista.
Meu enigma,
Tu: solução.


Nilzan Santos

Inconsistência

   Minha mente já não pensa mais. Não trabalhamos em harmonia há muito tempo.
            Percebi que necessito fazer hora extra nas ações cotidianas, pois meu raciocínio se perdeu entre o emaranhado de infortúnios que você me causou. Desde o primeiro despertar libidinoso, você vem querendo dominar meus sentidos e agora percebo o sucesso de sua operação.
            Embora eu seja alguém forte, decidido em aprender e ensinar sobre questões do coração, seus olhares desconcertaram minha realidade – minha intenção de reflexão perante os obstáculos emocionais foram quebradas. Estou completamente entregue aos caprichos da tua dominação.
            Já analisei muitas tarefas difíceis em que me muito me exigia o poder da racionalidade, já me deparei com diversas situações lamentáveis em que me fora exigido o caráter da decisão extrema, já tive que ser tão agressivamente duro quanto a outrem que nem imaginava ser.
            Mesmo querendo agir conforme as leis universais de flexibilidade, não posso lançar mão de atos frouxos para me referir a você, porque jamais deverei assumir que, enfim, apareceu alguém que sabe como me desmontar, pois – como já falei – sou forte.
            Eu sei que tem uma blindagem violenta envolvendo o teu corpo, mas não acho justo que você mantenha a impenetrabilidade diante dos meus sentimentos. Se você faz esse jogo de dominação com perfeição por que me mantem imóvel e inútil quando quero jogar?
            Você é um caso difícil de entender! Ou será que são meus sentimentos que não te agradam? Ou será que acabei interpretando erroneamente a tua mensagem?
            Será que todo sentimento exalado por mim foi em vão?
            Não me surpreenderia se fosse apenas paranoia de minha parte, porém peço apenas as respostas para essas perguntas que agora me atormentam, pois se tudo for amor, não me responsabilizo pelas consequências que deveremos colher durante o caminho.
            Digo nós, porque o causador de toda essa confusão mental é você. E se eu não conseguir me reerguer, pode ter certeza que te levarei para junto de mim. E assim ficaremos jogados no vale da ociosidade tomando banho na fonte da racionalidade até recuperarmos as energias humanas.
            Só assim terei certeza de que estarei pronto para confabular minhas reações emocionais outra vez, com outrem.

Nilzan Santos

Picuinha


Era uma manhã de inverno tipicamente macapaense, muita água divina, muito Amazonas se afogando, muita gente inacostumada ao frio moderado que se instalava.
Meus pais costumavam discutir por coisas simples e sem sentido, não que as coisas simples da vida não tenham sentido para mim, porém o fato de divergir ideias a respeito de um controle remoto me parece simples e sem sentido.
De repente eis que surge uma gota d’água bem no meio da sala, eu estava no quarto quando ouvi o alarde. Duas pessoas começavam a confabular argumentos sem fundamento. Claro que não eram argumentos, eram apenas palavras de nervosismo.
Mas por que tanto barulho por causa de uma gota d’água? Comecemos a entender então.
A gota d’água, invasora e destruidora de lares, atingiu o bendito controle remoto da TV. Perda total. E agora? Como iriamos alimentar o corpo preguiçoso na hora de saquear os canais da TV? Mesmo que fosse humanamente possível utilizar os botões instalados no televisor, não se cogitava a possibilidade de levantar-se, caminhar até a TV e deitar-se novamente. Nossa, que maratona olimpiana!
Digo deitar-se, porque em nossa casa os sofás não servem para sentar e sim para deitar. Se assim se vive aqui, eu me pergunto: qual o sentido de ter uma cama para cada pessoa nessa casa? Vem a resposta óbvia: nem todo quarto tem uma TV e um controle remoto.
Voltemos aos meus pais. Minha mãe urrou o seu grito mais belo e delicado, banhado a um “belo” palavrão involuntário. O controle, antes de seu suposto homicídio, estava deitado junto ao sofá em que meu pai descansava – ao som de roncos selvagens – após o café da manhã. Meu pai sempre dorme nas horas mais oportunas e inoportunas. Se quisermos assistir a um filme juntos, ele dorme; se combinamos a apreciação de um programa em família, ele dorme; mas se resolvemos nos atrasar para algum compromisso devido ao seu sono, ele não dorme e perturba.
O culpado foi logo descartando sua culpa. “Injustiça, porque durante o sono não temos chance de nos defender de catástrofes naturais”. Quase fui convencido!
Minha mãe com seu temperamento escorpiano, nem quis saber. “A culpa é tua, que fica roncando e esquece de tudo ao teu redor. Vê se presta mais atenção nas coisas, rapaz!”. Minha mãe é minha mãe!!! Ainda bem que é mãe, porque se fosse professora eu estava lascado. Chicote nele! (chicote em mim).
Ao observar a cena percebi que o controle estava virado com as teclas para baixo, o peguei do chão discretamente e cheio de habilidade desviando das palavras que voavam soltas no recinto. Constatei que a gota d’água atingira apenas o encaixe para as pilhas e que a solução era apenas a substituição por pilhas novas. Sempre fui bom no conserto de controles remotos.
Não comuniquei a descoberta a eles. Corri no meu quarto troquei as pilhas e voltei para a sala. Naquele momento eles já brigavam em busca do paradeiro do controle remoto. Sorri com ar de antagonista vilão, sentei no meio da sala, enrolado ao lençol salvador dos invernos, apontei o objeto para a tela reprodutora de sonhos e apertei o botão OFF.
A TV desligou, catei um travesseiro renegado ao canto da sala, aconcheguei minha cabeça e desfrutei do silêncio de perplexidade dos meus protagonistas familiares enquanto a chuva reinava absoluta lá fora.
Naquele dia percebi que meus pais precisavam de um diretor e de um núcleo de apoio para suas picuinhas. Exerci as duas funções com maestria. E até hoje busco o meu Oscar.

Nilzan Santos

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Reencontro

Pensei que estava curado
Que as lembranças já ofuscadas
Tivessem, de mim, eliminado
Todo aquele prazer das encaradas.

O sangue me correu tão feroz
Tão lúdico e inusitado.
Só pude me afastar de nós
E evitar o antigo resultado.

Se por ti não fui merecido
Perdoe-me pela decepção
É que nas profundezas do coração
Dorme um remorso convencido.

Se não nos fui fiel,
Não me julgues pela atitude.
Apenas quis saborear a juventude
Capaz de nos fazer tocar o céu.

Fascínio

Óh, ódio!
Que mazela
vem surgindo do meu peito.

Óh, sonho!
Que perigo,
tu podes condenar-me até à morte.

Óh, medo!
Que guerreiro,
nem preciso chamá-lo. Estás aqui.

Óh, amor!
Que desejo,
afastando-se mais e mais de mim.

Óh, futuro!
Que incerteza,
já pude senti-lo e tocá-lo.

Óh, passado!
Que memória,
és tão doce, quanto amargo.

Óh, presente!
Que desprezo,
nem consigo entendê-lo.

Óh, mundo!
Que fantástico...
Tão natural e imperfeito.

Só.

Horas insanas
comem meus neurônios.
Passam, ouça...
O tic-tac,
medonho...
Que tédio, sangrento tempo.
Vozes, apareçam vozes
Acalentem-me
Afaguem-me
Cubram-me
Tirem-me o sujo pensamento
Toc-toc, cheguei...
A hora é essa.

Sentido!...

O grotesco sentido
que me gasta o desejo
faz eu sentir-me
num puro apego.
Apego mero, impuro,
gostoso, injusto, horroroso.
Sentido nojento,
desejo amoroso...
Basta! Quero apenas viver.

Viagem Eterna

É silenciosa.
Até parece sentimento indesejado.
Difícil de controlar.
Te consome aos poucos,
Ferozmente
Loucamente
Vagarosamente
De repente.
Instantânea e pronto...
Era uma vez!!!
Ela te oferece uma passagem,
mas na Rodoviária Celestial
o bilhete é único,
porque tu tens a hora da partida,
porém a hora da volta é administrada
por um ser.
Ele, só Ele é capaz de ti dizer:
- Pode vir que eu te recebo em Paz!
E a viagem eterna é saboreada.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O assalto.


            Certa vez, ao sair de casa, em uma noite aparentemente comum, me deparei com um acontecimento.
            Uma mulher, a qual aparentava ter seus 27 anos de idade e com um belo corpo que chamava a atenção de qualquer homem, conduzia ao seu lado direito uma criança, essa devia ter uns cinco anos de idade. Os dois pareciam bem vestidos, porém a criança era dotada de uma magreza assustadora.
            A mulher e a criança iam caminhando pela calçada a poucos metros em minha frente, era uma caminhada tranquila. De repente a criança olhou para trás e me encarou profundamente, pude absorver um alto nível de sinceridade no brilho do olhar infantil, procurei formular um sorriso, contudo a criança voltou a atenção para frente me ignorando indiferentemente.
            Os dois entraram em um comércio e eu continuei a andar em busca de algo perdido em minha memória. Entretanto algo igual a um grito feminino ecoou em meus ouvidos.
            Voltei-me para trás e percebi um pequeno alvoroço em frente ao comércio. Corri para ver o que acontecia. Ao chegar lá avistei a criança abraçada ao corpo da mulher. Naquele momento a mulher já era um cadáver e a criança mais uma órfã nesse mundo de Deus.
            Não tive uma emoção peculiar. A criança gritava procurando uma resposta no rosto dos transeuntes. Os murmúrios diziam que um moleque anunciara um assalto ao comércio, nesse momento a mulher tentara fugir com a criança, mas o delinquente disparara um tiro que ceifara a vida da jovem.
            De repente os olhos da criança cruzaram com os meus novamente, no entanto, dessa vez não ousei esbouçar qualquer reação. A criança parou de gritar ao me ver, silenciou-se por alguns minutos e jogou-se sobre o corpo quase gélido que esparramava-se e fundia-se ao sangue quente no chão do comércio.
            Logo chegou a ambulância e o conselho tutelar. Agora eu já observava o fato de longe. Ao ver a criança ser levada até o carro por um policial. Senti o trajeto de uma lágrima, uma única lágrima, correr em meu rosto.
            Naquele momento me senti tão inútil e descartável, que apenas voltei para casa e dormi. Isso mesmo! Apenas dormi...

quinta-feira, 29 de março de 2012

Reação

Com palavras destruídas
Eu consegui reconstruir sonhos
Em horas mal resolvidas
Percebi a distância dos poros tristonhos

Tu aprendestes a saborear a vingança
O gosto te pareceu amargo, azedo.
É porque de toda aquela confiança
Te restou o mais doce desprezo.

Tens agora o descontrole cardíaco,
Pois ao me ver na bonança
Desperta em ti o louco maníaco
Em busca da semente da esperança.

O tempo passou e estou renovado
A tua pele seca, agora envenena
Meu contorno corporal é amado
Por outro que nem de ti me lembra.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Por ti, nem eu...

Me senti tão inútil
diante do brilhar dos teus olhos.
Percebi que você sentia algo diferente.
Empalideci de nervosismo.
De um modo geral
te conheço muito pouco
para me comprometer assim...
De repente recebo o teu dossiê,
nele contêm as mais variadas aventuras de tua vida.
Reflito agora:
- Será que já posso confiar nas tuas palavras?
Bem... Senão confio nem em mim,
como posso me sujeitar aos teus desejos?
Pronto, cheguei a uma conclusão...
Não posso, agora, te ocupar em meu coração.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Entre as estrelas

Maysa queria apenas saber a identidade de seu pai. Os vagos relatos a respeito do homem só alimentava ainda mais a jovem imaginação da criança. No alge de seus nove anos, a menina não entendia qual o motivo de não ter o pai por perto.
Dona Maria, a mãe, amava a filha incondicionalmente e não media esforços para deixá-la bem. Certa vez a mulher gastou um bom dinheiro do seu salário de empregada doméstica  na compre de uma boneca para a sonhadora Maysa, porém o sorriso de agradecimento da menina era capaz de amolecer o coração da mãe.
Ser mãe solteira sempre foi complicado para Dona Maria, essa passava o dia inteiro trabalhando para suas patroas e apenas tinha tempo de rever a filha de noite quando voltava do trabalho e pegava a menina na casa da vizinha. Seu João marido de Dona Maria e pai de Maysa, havia viajado em busca de emprego e nunca mais deu notícias . Tal situação deixou Dona Maria muito triste, dessa forma a doméstica tomou a decisão de ocultar da filha o fato de ter sido abandonada pelo marido.
Um dia, na escola, Maysa perguntou para sua amiga ela tinha pai. A amiga respondeu dizendo que o pai havia viajado, mas era uma viajem para todo o sempre e agora ele morava entre as estrelas. Maysa, pela primeira vez, criou esperanças, pois pensou no fato de seu estar morando entre as estrelas também e assim poderia vê-lo todas as noites.
Após a chegada da mãe em casa, a menina contou-a o que havia pensado, Dona Maria, por sua vez, apenas sorriu e abraçou Maysa. A mãe não queria decepcionar a filha e concordou com o pensamento da criança mesmo sabendo que um dia a verdade deveria ser revelada .
A partir daí, todas as vezes que a menina ia dormir, a mesma ficava admirando as estrelas em busca do pai e não faltavam assuntos para conversar. Porém um dia Maysa viu uma estrela cair, desesperou-se, mas por pouco tempo, porque a cada noite o céu estava mais estrelado, assim seu pai ficava cada vez mais vivo entre as estrela e no fundo do seu coração.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O ato imoral

 Certo dia, ao caminhar para casa, me deparei com uma cena totalmente comprometedora. Não era algo tão inescrupuloso ou ilegal, mas tal ato fugia totalmente da moral social. Muitos podem achar normal, é a vida o que podemos  fazer se muitas vezes nossa racionalidade é questionada pelos mais simples atos?
Enfim, meus olhos não foram capazes de registrar todo o ato imoral, mas puderam visualizar que era uma pessoa bastante conhecida de uma amiga minha. Esta estava super feliz por ter encontrado uma pessoa especial, gentil e generosa para com ela, e que demonstrava e destilava o mais puro amor diante de todos, mas como eu sempre desconfio do "perfeito demais", já havia alertado essa amiga para que a mesma não fechasse os olhos diante de tanta perfeição.
 Assim, ao caminhar por uma rua não tanto escura consegui ver um casal protagonizando cenas quase que pornográficas. Não me surpreendi, uma vez que tal bairro já possui a fama de acolher coisas estranhas e imorais, e continuei a andar, contudo ao olhar novamente pude detectar a face do rapaz que beijava uma moça bonita e corpulenta, era o namorado da minha amiga. Quase gritei e apontei o dedo em direção ao dois incriminando-os.
 O caminho até minha casa foi ficando cada vez mais grande, parecia que eu andava e não saia do lugar. Minha cabeça estava super confusa com o fato de revelar ou não aquilo que eu havia visto para minha melhor amiga. Sou conhecido, entre meus amigos, como o mais venenoso de todos, porém rebato as críticas dizendo que tudo na vida precisa de um pouco de veneno para que essa desfrute de emoções particulares e inesquecíveis.
 Ao chegar em casa mal falei com a família e fui direto para o quarto. Deitei e tentei adormecer um pouco para tentar esfriar a cabeça. Quando eu estava conseguindo pegar no sono meu celular tocou, atendi e reconheci a voz da mais nova traída da turma. Sim era minha amiga....
Não consegui disfarçar a voz de nervosismo para com ela e fui logo lhe contando todo o ocorrido.
Minha amiga quase pirou de tanto chorar e gritar ao meu ouvido e encerrou a ligação. Fiquei sem informações da chorona durante dias. Depois de algum tempo ela apareceu em casa como se nada tivesse acontecido, fomos para o quarto e começamos a conversar. Eu imaginava que ela iria me agradecer pelo bem que eu a fiz a partir do momento que tirei de circulação mais um grande mentiroso amoroso, mas quando eu menos esperava fui surpreendido com um tapa e um dedo que parecia querer estuprar meus olhos. A louca traída me culpou por todo o seu sofrimento dizendo que a moça que estava com o seu ex-namorado era irmã dele e eu era uma grande víbora destruidora de namoros, vê se pode algo tão absurdo...
Não reagi e nem disse nada a ela, apenas pedi para ficar sozinho e fui atendido. Então lembrei que eu havia tirado uma foto do ato imoral no celular, pretendia apagá-la depois da conversa com minha melhor amiga que naquele momento havia acabado de se tornar uma ex-amiga. Não hesitei e resolvi postar a foto na internet com uma frase bem pitoresca: SE SEU AMIGO VISSE ISSO E NÃO LHE CONTASSE NADA O QUE VC FARIA? E ,no cantinho da prova de minha inocência, acrescente: O QUE OS OLHOS NÃO VEEM, NOSSO AMIGOS PODEM VER. Naquele momento pude sentir o veneno derramar pelos meus lábios. Até hoje a chorona busca reatar nossa amizade, porém estou pensando em explorar um outro lado meu, a falsidade. Talvez minha ex-amiga se torne uma nova cobaia para mim....

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

AMIZADES INESQUECÍVEIS

Quem nunca teve um amigo inesquecível???
Que sempre esteve com você nas horas mais engraçadas e especiais da sua vida?
Diversas pessoas não conseguem viver em um mundo solitário sem ter contatos com outros indivíduos. Dessa forma precisamos ser capazes de compreender o comportamento das mais variadas pessoas para podermos saber como funciona o comportamento humano diante de qualquer situação.
Chega um momento em nossas vidas que precisamos encontrar alguém que seja capaz de nos entender, e que possa ter uma relação de extrema confiança conosco.
Não apenas alguém que nos ouça, mas que possa sentir as mesmas sensações que nos marcaram em  um determinado lugar ou ocasião.
Ou seja, precisamos de alguém que possa compartilhar as mais hilariantes aventuras que podem surgir nas nossas vidas.
Muitas vezes confiamos tanto em um AMIGO que somos capazes de termos um nível de afinidade com eles maior até do que temos com nossos próprios pais.
O que explica essa nossa atitude?
O amor? Compreensão?? Entendimento???
Ás vezes nem conseguimos explicar tal atitude, mesmo porque estamos tão envolvidos com esse sentimento que nem paramos para pensar como ele surgiu em nosso coração.
Dessa forma, só o que nos resta é saber lidar com esse novo universo, que tomou conta de nosso coração.
Já que nem tudo na vida pode ser explicado de uma forma concreta, não custa nada desfrutarmos um pouco de nossa imaginação e viajar por um caminho onde iremos encontrar pessoas que podem e sabem nos compreender.

 Mas como o tempo pode ser nosso amigo e inimigo, devemos esperar tudo de bom e de ruim que ele pode nos proporcionar.
E quando você percebe que com o passar do tempo aquela linda amizade pode chegar ao fim?
Nossa! Isso é terrível, já passei por essa situação diversas vezes.
Nesses momento não nos basta fazer nada, uma vez que nosso sentimento está quase que totalmente perdido e quebrado.
A parte mais dura é quando uma grande amizade chega ao fim.
Demoramos muito para superar.
Nada justifa a perda de um amigo. Pois nemsempre vamos achar uma pessoa que poderá substituir outra completamente.

Mas apesar de tudo que ocorra em nossos caminhos não devemos desistir de encontrar um grande amigo pois eles marcam muito a nossa vida. Não é mesmo....

sábado, 7 de agosto de 2010

Traição...

E AGORA O QUE FAZER?
QUANDO VOCÊ PENSAVA QUE HAVIA ENCONTRADO A SUA CARA METADE E NA VERDADE ENCONTROU ALGUÉM CAPAZ DE TE SURPREENDER COM ATITUDES INFIÉIS ?
  AGORA É MOMENTO DE CALMA. FAZER UM ESCÂNDALO SÓ TE PROPORCIONARÁ  PREJUÍZOS EMOCIONAIS.
EU SEI QUE NESSAS HORAS TEMOS VONTADE DE QUEBRAR TUDO O QUE VEMOS PELA FRENTE , POIS ACHAMOS QUE PODEMOS RESOLVER OS PROBLEMAS COM A VIOLÊNCIA , MAS DEVEMOS PARAR E PENSAR SE VAI VALER A PENA TOMARMOS ESSA ATITUDE.


E SE VOCÊ DESCOBRIR QUE ESTÁ SENDO TRAÍDO BEM DEBAIXO DO SEU NARIZ?
O QUE VOCÊ FARIA?
DE REPENTE A PESSOA EM QUEM VOCÊ CONFIAVA ESTÁ AJUDANDO A COLOCAR MAIS UM "ACESSÓRIO"  EM SUA CABEÇA.

E SE ESSA PESSOA FOSSE SEU MELHOR AMIGO OU AMIGA?

 COMO VOCÊ REAGIRIA EM UM FLAGRANTE?

 SEI QUE ALGUMAS PESSOAS NEM IMAGINAM ESSE TIPO DE SITUAÇÃO , MAS DEVEMOS   LEVAR EM CONTA TUDO O QUE O SER HUMANO É CAPAZ DE FAZER PARA SATISFAZER OS SEUS DESEJOS MAIS SECRETOS ...

NESSE MOMENTO DE EXTREMA DECEPÇÃO É QUE VOCÊ PODE CONHECER QUEM VOCÊ REALMENTE É POR DENTRO.
SERA UMA PESSOA FRIA , OU MUITO EMOCIONAL?
MUITOS ACREDITAM QUE O MELHOR SERIA PAGAR NA MESMA MOEDA:
- JÁ QUE ELA/ELA PODE, POR QUE EU NÃO POSSO?
MAS NESSE MOMENTO DE VINGANÇA DEVE - SE PARAR E ANÁLISAR NOVAMENTE SUAS ATITUDES QUE SERÃO TOMADAS DAQUELE MOMENTO EM DIANTE.

SERÁ QUE QUANDO VOCÊ RESOLVE SE VINGAR DE UMA TRAIÇÃO O CERTO É COMETER OUTRA TRAIÇÃO?

OU SERÁ MELHOR VOCÊ REVALORIZAR A SUA AUTO ESTIMA PROCURANDO UM NOVO AMOR  SEM A INTENÇÃO DE SE  VINGAR DE ALGUÉM ?

ENTÃO SUAS ATITUDES DEVEM SER SEMPRE TOMADAS EM CONFORMIDADE COM SUAS NECESSIDADES , INDEPENDENTEMENTE DA SITUAÇÃO OU CIRCUNSTÂNCIA.

VOCÊ DEVE , DEPOIS DE QUALQUER DECEPÇÃO, DAR A  VOLTA POR CIMA E SABER REORGANIZAR A SUA VIDA DE UM MODO QUE ELÁ SEJA COERENTE.


NA VERDADE NINGUÉM QUER SER TRAÍDO NA VIDA.

MAS E SE VOCÊ FOR TENTADO A TRAIR SEU COMPANHEIRO / COMPANHEIRA?

 O QUE VOCÊ FARIA?

QUE ATITUDES TOMARIA A RESPEITO DESSE DESEJO EM QUE NINGUÉM ESTÁ IMUNE DE SENTIR ? ?
PENSE BEM A RESPEITO!!!!
ATÉ MAIS..........